Cachos da Gi

Resenha: Kanechom Kids

admin-ajaxChegou a hora dele! O mito, o queridinho, o famoso Kanechom Kids! Confesso que não dava nada por ele, zero espectativas, afinal, 1kg me custou cerca de R$10 – e não, não foi nada fácil achá-lo! O vi na vitrine de uma farmácia pertinho de casa por acaso, e nem pensei duas vezes em levar, eu precisava testar essa coisinha.

Já venho usando este creme há algumas semanas como condicionador para co-wash, intercalando com water only e outras técnicas de lavagem. E, como eu falei, vim usando sem ter me atentado para composição, apenas sabia que podia ficar com “a consciência livre” pois a Kanechom não testa em animais e este produto não contém nenhum ingrediente de origem animal, logo, é vigã minha gente! Mas após uma pesquisa básica a cerca da composição do produto, trago pra vocês algumas reflexões e opiniões sobre o produto.


Composição

Aqua (Water), Cetearyl Alcohol, Dicocoylethyl Hidroxyethylmonium Methosufate/ Propylene Glycol, Ceteareth-20, Dicaprylyl Ether, Hydrolyzed Wheat Protein, Disodium EDTA, Ethylhexyl Methoxycinnamate, Parfum/ Linalool, Methyldibromo Glutaronitrile/ Phenoxyethanol, Cl 19140.

OBS: (Sublinhei o “wheat” (trigo em inglês) pois prova que a proteína utilizada é vegetal. Caso não constasse o vegetal do qual a proteína foi extraída, pela norma, ela seria de origem animal)


Análise

Sabemos que a ordem dos componentes (geralmente) indica a os que vem em maior quantidade – ou seja, o que vem primeiro está em maior quantidade na fórmula do que o que está por último. Então vamos ver o que cada componente é faz:

  • Água – o que torna a máscara possível de ser batizada com glicerina, caso queira usá-la para hidratação.
  • Álcool Cetearílico – componente espessante (emulsificante), que dá “cremosidade” ao produto, permitindo que a água e os óleos se misturem e deixem o creme mais emoliente, facilitando sua aplicação sobre os cabelos. Geralmente é obtido a partir de óleos vegetais, como o de côco ou de palma. É um “álcool gordo”, não se comporta como os álcoois “comuns” como o etanol ou o propanol, por exemplo. Sua molécula é grande e não é capaz de penetrar a estrutura do fio.
  • Dicocoylethyl Hidroxyethylmonium Methosufate/ Propylene Glycol – substância umectante, viscosa, sintética, solúvel em água, derivada de petroquímicos usada para diluir outras e estabilizar a consistência do produto. Alguns estudos mostram que ele pode causar alergias e irritações.
  • Ceteareth-20 – Os ceteareths são muito usados nos cosméticos e são feitos de uma mistura de álcool cetílico e estearílico, e óxido de etileno. O valor numérico representa o número médio de moléculas de óxido de etileno adicionado para gerar o ceteareth em questão. O Ceteareth-20 atua como emulsificante e emoliente, ou seja, ajuda a engrossar a solução e a auxiliar outros componentes a se dissolverem, além de também funcionar como um estabilizante não-iônico em soluções de água e óleo (como é o caso). Há algumas dúvidas na indústria sobre a segurança do Ceteareth-20 – há quem diga que é tóxico, alergênico, que pode vir a facilitar a absorção de outras substâncias prejudiciais pela pele, que é carcinogênico…
  • Dicaprylyl Ether (dicaprilil éter, aka dioctil éter) – é um óleo polar, emoliente, ou seja, ajuda as coisas a “deslizarem”, causando o efeito de cabelo derretido e auxiliando a desembaraçar.
  • Hydrolyzed Wheat Protein (proteína hidrolizada do trigo) – proteína vegetal que sofreu hidrólise, ou seja, foi quebrada em partes menores e será melhor absorvida pelos fios (ok, isso é controverso, eu sei… há quem duvide desse efeito reconstrutor das proteínas, o quanto de fato elas são fixadas nos fios etc, mas isso é outra história. O que eu sei é que se a gente abusar das proteínas os fios ficam mais rígidos, certo? Isso pra mim já é suficiente para dizer que elas tem algum efeito sim! ehehe)
  • Disodium EDTA – (sal dissódico do ácido etilenodiaminotetracético) – substância solúvel em água e quelante, ou seja, garante estabilidade da fórmula, impedindo mudanças no cheiro, cor, textura, etc. É uma substância muito usada em cosméticos pois evita a interação com íons de cálcio, magnésio, ferro, cobre, entre outros, presentes nos demais componentes da fórmula ou mesmo na água (em especial a chamada água dura, tida em alguns estados brasileiros e também na Europa e EUA).
  • Ethylhexyl Methoxycinnamate – substância com ação bloqueadora de raios UV, ou seja, protetor solar
  • Parfum/ Linalool – essência floral, amadeirada e doce presente em diversos óleos essenciais e flores. Algumas pessoas possuem alergia a essa substância, o que obriga por lei a vir escrito na composição caso usado na composição.
  • Methyldibromo Glutaronitrile/Phenoxyethanol – mais um conservante, um tanto polêmico! Essa substância, obtida através de processos químicos aplicados a substâncias conhecidamente tóxicas e cancerígenas, vem substituindo os parabenos na indústria cosmética. Por ser perigoso, o Phenoxyethanol foi proibido no Japão, e outros tantos países já limitam sua quantidade nos cosméticos.
  • Cl 19140 (tartrazina) – corante sintético amarelo-alaranjado, pode causar diversas reações alérgicas e efeitos na saúde. Pela lei brasileira, é obrigatório informar no rótulo sobre a sua presença.

Minha Opinião

  • PRÓS – usando levemente o Yamasterol amarelo como comparativo, por ser mais difundido entre as(os) adeptas(os) do co-wash, logo, acredito que seja um bom parâmetro para analisar
    • Comparando com o Yamasterol, o Kanechom Kids ajuda muito mais a desembaraçar! Como eu ensinei no Manual do Co-Wash, aplico primeiro uma boa quantidade dele pelo comprimento dos fios, desembaraço e só então passo para a massagem própria do co-wash para fazer a limpeza. Derrete os nós consideravelmente, o que me deixou muito satisfeita!
    • Por ser super leve, é bom como base para algumas receitas de hidratações e finalizadores ‘caseiros’; nos meus testes, ajudou a dar uma dose extra de fixação (pouca, mas importou) e hidratação aos meus cremes de pentear ‘caseiros’. (coloquei entre aspas pois uma vez que adicionamos um industrializado cheio de substâncias químicas e afins, deixa de ser uma receita de fato caseira para ser algo como um ‘creme de pentear potencializado’ ou ‘enriquecido’,enfim… caseiro pra mim é algo mais natureba, mais feito com ingredientes puros e domésticos mesmo rsrsrs não sei se me fiz clara)
    • O cabelo fica bem hidratado e macio depois de usar! Usei-o apenas como condicionador de co-wash por enquanto, não o testei como base para hidratação pois acredito que os ‘benefícios’ que o Kanechom Kids pode proporcionar aos meus fios já são obtidos no co-wash, então deixo a hidratação e demais tratamentos por contas de outros produtos e receitas.
    • Custo benefício – o pote é de 1kg, é co-wash pra muito tempo! Fora que é bem baratinho, então não precisa maneirar na quantidade.
    • Já falei que é vegano? <3
  • CONTRAS – OK, vamos para a parte polêmica!
    • Quem acompanha o blog sabe da minha vontade de seguir uma linha mais natural de cuidados com o cabelo, abusando de receitas caseiras e produtos naturais, o menos industrializados e químicos possível. Olhando para a composição do Kanechom Kids, vemos que de “bom” mesmo, que realmente pode fazer alguma coisa para o nosso cabelo, só são os ingredientes que eu sublinhei na Análise: 4 de 11. Os outros 7 são conservantes, corantes, espessantes, etc, que são coisas em sua maioria bem químicas e com toxidade já estudada. Ou seja, composição fraca e cheia de coisas que podem ser perigosas pra nossa saúde. 🙁
    • Não sou química, não manjo das necessidades de se colocar tanto estabilizante, conservante, espessante etc. Mas o que eu, leiga, concluí foi: eles querem colocar água? Ok, coloquemos água. Porém, precisamos estabilizar essa água para que ela não seja meio de proliferação de fungos/bactérias, então coloquemos Dissodium EDTA. Queremos substâncias oleosas? Ok, então precisamos de coisas que façam a água e os óleos se misturarem! Taca o álcool cetearílico, espessante, e por aí vai…
    • Acredito que para produzir cosméticos altamente industrializados, em grande escala, acabe sendo necessário o uso dessas substâncias. Não discordo de suas importâncias para com a segurança da formulação, afinal, a química já evoluiu demais a ponto de garantir essas características, que foram e são muito importantes para o crescimento e desenvolvimento da indústria. O que me deixa com pé bem atrás com o Kanechom e outros tantos produtos na mesma situação é que os tais benefícios da formulação não são grande coisa. Umectante, “desembaraçante”, proteína e protetor solar. Alguns produtos, muitos aliás, também vêm com tais substâncias estabilizantes de fórmula, mas também vêm com inúmeros componentes mais benéficos pra saúde do meu cabelo e do meu couro cabeludo. Será que compensa?
    • Me preocupo com a toxidade das substâncias “de apoio”, não sei o quanto elas podem ser absorvidas pelo meu couro cabeludo e se acumular no meu organismo e impactar minha saúde. Não sei e não tenho como saber. Não sou química tampouco estudo medicina cosmética, mas eu prefiro evitar isso tudo, ainda mais quando seu fim é ficar sendo aplicado com massagens diretamente no meu couro cabeludo via co-wash.

Considerações Finais

Não vou jogar o produto fora, tampouco acho que comprarei novamente. Acho que até ele acabar farei a limpeza do couro cabeludo com argilas e chás, e utilizarei o Kanechom apenas no comprimento para desembaraçar, pois na raiz ele não chegará mais! Esse efeito de “derreter” o cabelo e deixá-lo macio é, pra mim, o principal dele, pois poucos são os cremes baratos que fazem isso. Me chateia um pouco o produto ser destinado a crianças, onde até o corante e a fragrância usados podem dar reações alérgicas. Imagina a bioacumulação dos conservantes no nosso couro cabeludo!? Enfim, não estou aqui para convencer ninguém a usar ou deixar de usar nada, apenas quis reunir informações mais detalhadas sobre ele que, somadas à minha experiência com o produto, podem ajudar a/o leitor(a) a decidir o que usar no seu corpo.

Espero que tenha sido útil! Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, é só comentar! Beijocas

Fontes: @ @ @ @ @ @

11 comentários em “Resenha: Kanechom Kids”

  1. Mulherrr, faz resenha da Maionese Vegana da Skala, pufavô se ainda tiver usando ela mesmo intercalando com WO. Conheci vc no youtube essa semana e comecei hj a testar a WO nos meus cachos. Eles tbm são 3-A,3-B hehe enfinss, eu faço no-poo há quase três anos, e uso basicamente kanechom kids e monange nos cabelos (comprei a maionese pra experimentar pq tava afim de uma novidade rs). fui percebendo que quantos menos produto melhor, fui deixando secar sem finalizar de fato… até que conheci melhor a WO e resolvi arriscar. como meu cabelo tá bem saudável, eu acho, e já acostumado com o no poo, hj ele se deu super bem com a lavagem só com água. vamos ver os próximos capítulos…
    Ah! eu tenho os mesmos problemas que tu tinha com óleos, ao que parece, vou ler mais sobre isso no seu blog!
    é isso! valeu por compartilhar sas coisas pela internet, moça!
    abraços daqui da Bahia!

  2. Minha filha tem 4 anos e tem o cabelo bem complicado, muiiiiito volumoso. Tem a raiz ondulada com cachos do meio para as pontas e tem a textura grossa. Não consigo achar um produto capilar adequado. Vc pode me indicar algum?

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